FOTOGRAFIA

Essa série de Davilym Dourado nos mostra que, enquanto suporte para a história e registro de memória, a fotografia pode ser apenas um canal de passagem para as ficções, um espelho para nossas lembranças vagas e nebulosas sobre o que verdadeiramente somos.
Para Fabiolla Loureiro, a noite sempre foi fascinante. Mas quando chega a hora do crepúsculo, antes de virar aquele céu negro que parece engolir todos nós com sua escuridão e vivacidade, é a hora do despertar dela. Viva, cheia de ideias e pronta para explorar a vida noturna, seja ela um caos, ou um mar de tranqüilidade.
Nesse ensaio José Bassit projeta nas folhas secas, recolhidas em suas caminhadas pela cidade, um momento muito íntimo desses seus 60 anos sobre essa terra que também há de nos comer. Em Outono há, ao contrário da abordagem científica de Blossfeldt, um convite à reflexão sobre passagens, o tempo e a matéria, uma necessidade de morte e renascimento.

 

Refúgio da Luz apresenta um conjunto de imagens impregnadas pela poética da cor, por onde a lz passeia de forma tênue e marcante, no limiar entre o oculto e o revelado. Nestes 20 anos de ofício, Marcello Vitorino tem seus olhos voltados principalmente às coisas cotidianas. A busca pelo sagrado que está em cada um de nós, manifesto no contato com as forças da natureza e que nos reconecta com a grande Mãe. Não por acaso a mulher é onipresente na obra de Marco Maia, que se deixa conduzir pela potência dessa energia criadora. Águas, pedras, folhas, terra, o ar e as matas mantém a chama acesa que transmuta. O homem é presença frágil em solo amazônico. É aquele que apesar de tudo está lá, ocupando território teimosamente, sustentando a cultura ribeirinha e cabocla entre intempéries e cicatrizes. Mas a grandiosidade  dos rios e matas também inspiram silêncio, enquanto a luz de Mauricio de Paiva é alarido. Uma espécie de som do silêncio, alarido que só se ouve de perto, olho no olho ou então se colocando em nosso lugar de coisa pequena diante da experiência que é contemplar um amanhecer amazônico ou, se preferir, o futebol entre águas e arco-íris ao entardecer. A identificação de Renato Soares com o universo indígena o tem levado a longos períodos de imersão em aldeias e reservas e o estimulou a desenvolver o projeto Ameríndios do Brasil – uma ambiciosa documentação fotográfica das quase 300 nações indígenas do país. Trata-se do resgate, através da imagem, desses personagens ancestrais que se encontram enraizados em nossa alma. O litoral, onde quer que seja, é o habitat natural de Paula Marina, o território onde ela se sente à vontade para experimentar, investigar, desconstruir. Suas superexposições, longas exposições e interferências na temperatura de cor conferem a essas imagens um aspecto irreal, entre o delirante e o onírico. Em alguns casos, um solene deboche. E se o mar - e para alguns a fotografia - é lugar sagrado, Paula transita entre o profano, mas sem perder a doçura jamais.No trabalho de Penna Prearo, a fotografia não é somente uma maneira de registrar a aparência das coisas e situações cotidianas, mas uma ferramenta para a criação de cenas fictícias que parodiam a realidade.

08.11.2017 a 24.11.2017