Silvia Borini

Oswaldo Cruz - SP

No início da fase escolar, a lembrança era de muito prazer em desenhar.  

Paralelamente iniciou o estudo de piano com apenas cinco anos.

Aos doze anos vieram as primeiras aulas de óleo sobre tela, sob a supervisão de Dona Midori, artista da sua cidade natal, Osvaldo Cruz, SP.  

Executava cópias de paisagens e figurativos.

Exercitou sozinha a descoberta de novos materiais, e deu-se inicio às primeiras criações com olhar geométrico e cubista.

Continuou o estudo de piano, e passou a estudar violão também.

Aos quatorze anos passou a fazer parte do coral da Igreja, onde tocada e coordenava as atividades e apresentações em audições, missas, eventos paroquiais e casamentos, sempre trazendo um idealismo inovador e contemporâneo, desafiando o tradicional da igreja.

Nos tempos de faculdade, onde cursou a disciplina de Educação Artística na PUCC - Campinas, integrou a equipe do Mestre Bernardo Caro, frequentando sua oficina de forma extra curricular, iniciando a sua participação em salões de Arte.

A sua participação numa instalação na Bienal de São Paulo de 1974 compondo a equipe de Bernardo Caro, deixou uma experiência marcante e enriquecedora.

Estudando plástica, estética e desenho artístico, passou a ser assistente de arte em uma agência de Publicidade na cidade de Campinas.

Mesmo com todas atividades e ocupações que a arte lhe exigia, em paralelo, dava profundidade e seguimento aos estudos de música, na tradicional escola Carlos Gomes, na qual mergulhou em um vasto mundo de arranjos, composições, história da música, análise sinfônica, teatralização, representações e apresentações, experiências estas que até hoje são determinantes no seu estilo.

Com a conclusão em Educação artística, na PUCC, especializou-se em Desenho.

Com esta formação dedicou-se ao Magistério Público, lecionando Educação Artística e Desenho para crianças e adolescentes.

Nos anos 80, com sua vinda a São Paulo, iniciou um trabalho em seu próprio espaço – “Ateliê Silvia Borini”, onde administrava aulas de pintura e desenho para crianças, adolescentes e adultos, além de produzir seus próprios trabalhos, que resultaram em participações em Salões de Arte, Galerias e eventos.

Em uma de suas experiências como artista, vivenciou os recursos da aquarela em seda, técnica pouco explorada e de resultado surpreendente, com potencial para suprir um mercado que crescia e exigia exclusividade.  Dedicou-se a um projeto de desenhos têxteis para a estamparia da indústria da moda feminina.

A aceitação desta arte própria, única, individual, ganhou uma dimensão no mercado que exigiu da oficina Silvia Borini a ampliação de sua execução em estamparia artesanal. Foram vinte anos criando e produzindo para Moda Praia, acessórios de festas, assinados para o mercado nacional e internacional, tendo inclusive integrado grupos para exportação, com apoio da APEX e Sebrae.

Encerrou suas atividades em estamparia e produções têxteis, com a ânsia de retomar o seu trabalho original; pintura em telas.

Iniciou trabalho intimista de recolhimento de material de acervo pessoal. Reestudou seu material e passou a utilizá-los como base para novas experiências; desenho, aquarela, mosaico, nanquim, grafite e esculturas.

Rapidamente sua bagagem e as novas criações são incorporadas a galerias, como Galeria Ami, Bric-A-Brac e Casa Galeria.

Nesta mudança de fase retomou seus estudos em suas referências mais primitivas de arte. Foi  buscar no classicismo de Michelangelo suas explosões de cores que lhe transbordavam os olhos. Cezanne, com todo o seu impressionismo, lhe trouxe a naturalidade e realismo da geometrização das formas orgânicas. Dedicou dias e noites sobre se aprofundar ao máximo sobre cada um deles; através de leituras, documentários, viagens e reproduções de suas artes. Seu eu artista se via cada vez mais alimentado e inflado de vontades.

 Tomada por um mundo de conhecimento e uma bagagem que precisava ser materializada, não obteve imediatamente a realização dessas angustias. Foi em dado momento, onde a música novamente se viu presente. Tocada pela paixão e felicidade que observava nas audições de Lang Lang, encontrou o conforto e equilíbrio que precisava. E de repente, de forma mais do que natural e real, sua arte passa a ser emitida em pinceladas e formas.

“A expressão dos movimentos dos instrumentistas, com as formas dos instrumentos, são as fontes de inspirações irresistíveis para os meus olhos, as formas plásticas e orgânicas das figuras que representam seres apaixonados por música, se fundem com os seus instrumentos, imprimindo a combinação e fazendo a extensão dos seus próprios membros, parte do instrumento como sendo um só objeto. O som forte ou delicado, ora vibrante ora calmo, tenta ser expresso através das linhas e objetos, formas mais ou menos explícitas, combinado com cores, quase poluindo para quem olha. Gerando no espectador o prazer de descobrir o maior número de movimento e expressão que o aproxima da sua memória musical.

“Quanto as técnicas não me obrigo obedecer a um único gênero”, se coloca a cada dia livre de regras e conceitos predeterminados como exigência de manter um perfil da obra. Se mantém fiel a sua forma de pensar, fazer e executar. Respeitando seu próprio “ser. Um fato que a delibera é: “Liberdade de expressar com total verdade interior”.

Respeitando e traduzindo sentimentos autênticos onde a resposta ao resultado final surge a cada trabalho realizado, ao questionar a artista sobre cada tela me surpreendo com uma resposta que ultrapassa o físico, vai além do visual, busca interferir de forma concreta e emocional, não deixando de ser impregnada de conteúdo do observador.

“As figuras tem muitas semelhanças em toda obra, em particular, para cada grupo de música erudita assume uma postura de concentração. Aqueles que executam tango carregam nos ombros o sentimento da paixão intensa e intrínseca. O grupo de rock vem solto, cada qual com sua alegria individualizada. O grupo de Jazz e Blues, apresento-os abraçando o instrumento, que foi eleito pelo instrumentista como um casamento indissolúvel,  este gênero  executa a vida e seus  amores em um swing romântico.”

O respeito que tanto defende a artista com o seu “ser”, fica claro na arte quando o observador fica livre para interpretar a obra respeitando o seu “ser”.

Qualquer artista se sentiria completo se pintasse exatamente aquilo que sente, no âmbito pessoal-profissional. Porém, ao concluir diz que esta é uma conquista que se equipara a uma de suas grandes realizações, confessa que “treinar pessoas a desenhar e pintar, se tornando profissionais e mudando as perspectivas e objetivos da própria vida social”, remete a uma satisfação plena e sagrada.